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    O tio do menino de 11 anos que ficava acorrentado em um barril no Jardim Itatiaia, em Campinas, contou que o pai e a madrasta da criança o impedia de fazer visitas na residência onde eles moravam. Ele também afirmou que havia um afastamento entre eles há pelo menos um ano. O eletricista e encanador Paulo dos Santos, que é irmão do pai da vítima, conta que viu o menino pela última vez no dia 23 de dezembro.

    "Eu precisei fazer um serviço (para o irmão) e eu fui até lá. Vi o menino na área da casa. Ele 'tava' bem magrinho já. Até comentei com as minhas irmãs, mas não podia 'subir' lá (na casa). A gente não podia entrar na casa sempre", disse ele.

    Depois dessa visita, Santos precisou voltar mais duas vezes ao local, no fim de dezembro e no começo de janeiro, mas já não viu mais o sobrinho. A madrasta o impediu de entrar na casa. "Ela não permitiu que eu entrasse na casa. Creio que ele já estava preso", disse.

    O caso foi revelado no sábado (30), após a PM (Polícia Militar) libertar o menino torturado na casa onde morava. Ele estava nu, com fome e chegou a comer as próprias fezes. O pai, um auxiliar de serviços gerais, de 31 anos, a madrasta, de 39, e a filha dela, de 22, estão com a prisão preventiva decretada. O MP também abriu inquérito para investigar o caso.

    AGITADO

    O tio contou ainda que o menino era, de fato, agitado, mas como uma criança normal. Essa foi a justificativa dada pelo pai da criança para colocá-lo dentro do barril, que era coberto por uma telha de brasilit e uma pia de mármore. A polícia acredita que ele estava no local há pelo menos um mês.

    "Ele era agitado mesmo, pulava muro, portão. Mas normal. Quem me conhece no bairro que eu cresci sabe que eu era o dobro. E meu pai nunca fez isso comigo. E ele criou nove filhos", disse. Sobre o núcleo familiar, Santos afirmou que ela aparentava ser "normal" e que não passava dificuldades financeiras. "A notícia foi um baque, a gente não imaginava. A gente ficou afastado de tudo".

    Santos, que é pai solo de uma menina, afirmou que considera o irmão e a cunhada culpados e que espera que eles arquem com isso. "Mas também tem a culpa da autoridade. O Conselho Tutelar, o Caps (Centro de Atenção Psicossocial) que atendia ele. Eles iam esperar ele morrer?", disse. No domingo (31), o Conselho Tutelar admitiu que já acompanhava a denúncia de maus-tratos a criança há pelo menos um ano e vai apurar se houve falha.

    O CASO

    No sábado à tarde (30), a PM encontrou o menino acorrentado e com fome dentro de um barril sob sol forte após denúncia de vizinhos. Após o libertarem usando um alicate, o menino contou que estava sem comer há quatro dias.

    Desde o resgate, o menino está internado no Hospital Municipal Ouro Verde onde trata um quadro de desnutrição profunda. O pai, um auxiliar de serviços gerais, de 31 anos, vai responder pelo crime de tortura, enquanto as mulheres, sendo a madrasta da criança e a filha dela, pelo crime de omissão.