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    A busca por margem operacional e investimento em uma oferta de veículos de alto valor agregado foram as justificativas oficiais da Ford para o fechamento das fábricas brasileiras da marca depois de mais de 100 anos de operação no país.

    Como informou a montadora, foram encerradas nesta segunda-feira (11) as atividades das fábricas da Ford em Camaçari (BA) e Taubaté (SP). A planta da Troller, em Horizonte (CE), será fechada até o fim de 2021. O mercado brasileiro passa a ser atendido pela produção na Argentina e no Uruguai, além de importações da matriz norte-americana e outros mercados.

    Mas por que o Brasil foi preterido para uma economia mais frágil como a Argentina?

    Nesta terça-feira (12), o presidente Jair Bolsonaro atribuiu a decisão à falta de subsídios ao setor. "Faltou a Ford dizer a verdade. Querem subsídios. Vocês querem que eu continue dando R$ 20 bilhões para eles como fizeram nos últimos anos? Dinheiro de vocês, de impostos de vocês para fabricar carro aqui? Não. Perdeu a concorrência. Lamento”, afirmou.

    Para economistas, as razões vão além. Especialistas consultados pelo G1 dizem que ainda que exista uma aparente contradição em ampliar investimentos em uma economia menor e com desequilíbrios macroeconômicos mais evidentes, a Argentina tem uma cadeia de produção formatada para atender ao desejo da estratégia global da Ford.

    Nova estratégia

    O novo foco global foi anunciado em 2018, de ampliação de investimentos em SUVs, picapes e utilitários comerciais. Na mesma época, a montadora antecipou, nos Estados Unidos, que encerraria a produção de sedãs tradicionais como Fusion, Fiesta e Taurus.

    A Nova Ranger, por exemplo, é produzida em Pacheco, na grande Buenos Aires. A Argentina é o berço das picapes na América do Sul. Além da Ford, o país produz as rivais Toyota Hilux, Nissan Frontier e Volkswagen Amarok. A Hilux, inclusive, é o veículo mais vendido do mercado argentino, à frente de Onix e Gol. Do Uruguai virá a nova geração da van de trabalho Transit.

    A fábrica de Camaçari, por sua vez, produz Ka e EcoSport. Enquanto o primeiro, um hatch compacto, foge dos planos, o segundo amargava baixos números de vendas e um projeto defasado frente aos concorrentes. Além disso, ambos compartilhavam a plataforma do Fiesta, que deixou de ser produzida.

    "Há também toda uma frustração formada por anos de que o Brasil seria um enorme mercado. Os planos automotivos incentivaram a criação de um parque industrial para produzir 5 milhões de carros ao ano e que, hoje, produz de 2,5 milhões. É uma ociosidade elevada há bastante tempo", afirma Rodrigo Nishida, economista da LCA Consultores.